Hoje me veio à mente este poema de Fernando Pessoa, que costumávamos declamá-lo ou representá-lo, por assim dizer, durante nosso curso de teatro, nos idos de 1992, na minha querida Piracicaba... Saudades do Xeiquispira!!
Bóiam leves, desatentos,
Meus pensamentos de magoa,
Como, no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das aguas.
Bóiam como folhas mortas
A tona de aguas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remedio,
Vestígio do que nao foi,
Leve magoa, breve tédio,
Não sei se para, se flui;
Não sei se existe ou se dói.
Dá pra perceber a tensão crescente, uma angústia...
E essa saudade, essa nostalgia, o paralelo com o dias atuais, as mudanças por vir... Não sei se existem ou se doem...
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