quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Todas elas num só ser

Uma viagem no universo dos compositores e das musas do cancioneiro brasileiro.

Não canto mais Babete nem Domingas, nem Xica nem Tereza, de Benjor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil; Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária, Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon; Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;
Nem a Tigreza nem a Vera Gata, nem a Branquinha, de Caetano;
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga, Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science, nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett; Nem Anna Júlia do Los Hermanos.
Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.
Não canto de Melô Pérola Negra; De Brown e Herbert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria, nem a Iaiá também, nem minha faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina; Nem a morena de Itapoã;
Divina garota de Ipanema, nem Iracema, de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda; De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel; Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz, das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato, e de Layla, de Clapton, eu abdico.
Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.
Nem a namoradinha de um amigo e nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul; Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg; Nem, de Totó, na malafemmená;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho; Nem a mulata mulatinha de Lalá;
E nem a carioca de Vinícius; E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo; E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos; E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona; E nem a popozuda do Tigrão
Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.
De Haroldo Lobo com Wilson Batista, de Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia, nenhuma tem meus vivas! E meus salves!
E nem Angie, do stone Mick Jagger; E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho; E nem as mina – pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê e loira do É O Tchan, Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha, Laura de Daniel, o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan, Ana do outro rei, o do baião
Nenhuma delas hoje cantarei: Só outra reina no meu coração.
Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.
Se um dia me surgisse uma moça dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel, ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry, e a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça prosa e a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas. Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida; Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida! Ou talvez duas... mas não mais que três...
Só você...
Mais que tudo é só você;
Só você...
As coisas mais queridas você é:
Você pra mim é o sol da minha noite; É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida, a estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma no céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida de Steve Wonder, ó minha parceira.
Você é pra mim o meu amor, crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos; Mais que a cigana pra Ronaldo Bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola; Que a domna pra Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby pra Waly Salomão e a funny valentine pra Lorenz Hart.
Só você,
Mais que tudo e todas, é só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

(Lenine)

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